top of page
estatua-1_edited.png

Conteúdos

para ler, se informar e espalhar

POR QUE OS HOMENS GOSTAM TANTO DE SEXO ANAL?

  • Foto do escritor: Januário Mourão
    Januário Mourão
  • 21 de jan.
  • 4 min de leitura

O sexo anal é uma prática muito mais antiga do que geralmente se imagina. Diversas civilizações, em diferentes tempos e contextos culturais, reconheceram a região anal como potencial fonte de prazer sexual.

O sexo anal é uma prática muito mais antiga do que geralmente se imagina. Diversas civilizações, em diferentes tempos e contextos culturais, reconheceram a região anal como potencial fonte de prazer sexual. Na Antiguidade, por exemplo, essa prática também esteve associada a estratégias contraceptivas, especialmente em períodos históricos nos quais o conhecimento sobre reprodução e métodos de prevenção da gravidez era limitado. Ou seja, o sexo anal nunca foi apenas uma “novidade” contemporânea, mas um comportamento que atravessa a história humana, carregando sentidos variados conforme a cultura, o gênero e o tempo.


Na maioria das vezes, a iniciativa para o sexo anal parte dos homens. Entre as mulheres, há uma divisão clara: algumas recusam a prática devido à dor, ao desconforto ou simplesmente à falta de desejo; outras, por sua vez, sentem curiosidade, vontade e prazer real ao experimentar a estimulação anal. Muitas mulheres sentem muito prazer durante o sexo anal. Do ponto de vista fisiológico, o ânus (em mulheres e homens igualmente) é uma região com muitas terminações nervosas capazes de transmitir prazer e dor, além disso é composta por uma estrutura muscular (esfíncteres anais), o que pode gerar uma sensação de maior pressão sobre o pênis — algo que muitos homens descrevem como altamente excitante.


É justamente aí que surge o impasse. Quando o homem gosta muito da prática, pode criar a expectativa de que a parceira aceite o sexo anal para agradá-lo. Esse movimento, quando não é acompanhado de diálogo e consentimento genuíno, transforma o que poderia ser uma experiência erótica em um sacrifício silencioso. Fazer sexo anal apenas para evitar frustração, rejeição ou conflitos não é uma expressão de intimidade, mas de medo. CÚ NÃO É PRESENTE!


A preferência de parte dos homens pelo sexo anal não pode ser explicada por um único motivo biológico ou psicológico. Trata-se de um fenômeno multifatorial, atravessado por cultura, gênero, poder, socialização sexual e imaginário erótico. Abaixo, apresento os principais fatores apontados por pesquisas em sexualidade e estudos de gênero.


Construção cultural da masculinidade


Em sociedades marcadas pelo machismo, a masculinidade costuma ser associada à dominação, controle e performance. O sexo anal, por ser historicamente tratado como tabu, transgressão ou “território proibido”, pode ser simbolicamente entendido como uma forma de afirmação de poder sexual. Autores como Michel Foucault demonstram como práticas sexuais são moldadas por relações de poder e normas sociais, e não apenas por desejo “natural”.


Outro fato absurdo que faz parte do universo masculino é o mito de que mulheres que gostam de sexo anal ou têm a curiosidade de experimentar, não mulheres promíscuas. Inclusive existem mulheres que não procuram seus companheiros para fazer sexo anal, pois ficam com medo de julgamento.


Pornografia como principal educadora sexual


Diversos estudos indicam que muitos homens aprendem sobre sexo quase exclusivamente por meio da pornografia, onde o sexo anal é frequentemente retratado como prática central, automática e sempre prazerosa para as mulheres — o que não corresponde à realidade. Pesquisas associadas ao Instituto Kinsey mostram que a pornografia influencia expectativas, desejos e comportamentos, especialmente quando não há educação sexual crítica.


Fetichização da dor, do tabu e da transgressão


O que é proibido ou moralmente condenado tende a ganhar forte carga erótica. O sexo anal, historicamente ligado ao pecado, à sujeira ou à marginalidade, acaba sendo erotizado exatamente por isso. A psicanálise clássica, desde Sigmund Freud, aponta que o desejo humano não se organiza apenas pelo prazer físico, mas também pela fantasia, pelo interdito e pelo simbólico.


Centralidade do prazer masculino


Em muitas relações heteronormativas, o prazer do homem ocupa o centro da relação, enquanto o prazer feminino é tratado como secundário ou opcional. Como o sexo anal pode gerar maior estímulo físico para alguns homens, ele passa a ser desejado independentemente do conforto, desejo ou prazer da parceira, reproduzindo desigualdades de gênero já naturalizadas.


Desinformação sobre o prazer feminino


Há um mito persistente de que “toda mulher pode gostar” ou “vai aprender a gostar”, o que ignora limites corporais, emocionais e subjetivos. Estudos em sexologia indicam que o prazer anal feminino não é universal e, quando existe, depende de desejo genuíno, segurança, preparo físico e vínculo — e não de insistência masculina.


Confusão entre desejo e direito


Por fim, é importante destacar que ter desejo não significa ter direito. O problema não está no interesse pelo sexo anal em si, mas quando ele é sustentado por coerção, pressão emocional, chantagem afetiva ou desconsideração do consentimento. A crítica feminista aponta que muitos homens foram socializados a confundir fantasia com obrigação feminina.


Dicas para um sexo anal sem dor e seguro


1.     Nunca faça para agradar seu parceiro;

2.     A excitação da mulher deve estar no topo;

3.     Não economizar no lubrificante correto e apropriado;

4.     Busque uma posição mais confortável (normalmente de lado é melhor);

5.     Não renuncie à camisinha.


A preferência masculina pelo sexo anal revela menos sobre anatomia e mais sobre educação sexual precária, cultura pornográfica, desigualdade de gênero e modelos de masculinidade. Uma sexualidade saudável exige diálogo, consentimento explícito, respeito aos limites e compreensão de que prazer não é hierarquia — é encontro pleno.

 
 
 

1 comentário

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
Carla
22 de jan.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Esclareceu muito!

Curtir

atendimento@escoladepensar.com.br

whatsapp: (71) 99172 4578

AQUI TEM MAIS

  • Instagram
  • LinkedIn
  • Youtube

Gaveta do Pensamento 
CNPJ: 49.802.906/0001-19

Avenida Tancredo Neves, nº 2539, CEO Salvador Shopping, Edf. Torre Londres, sala 2609 - Caminho das Árvores.

CEP.: 41820-021

Monocolor-04_edited.png

atendimento@escoladepensar.com.br

whatsapp: (71) 99172 4578

AQUI TEM MAIS

  • Instagram
  • LinkedIn
  • Youtube

Gaveta do Pensamento 
CNPJ: 49.802.906/0001-19

Avenida Tancredo Neves, nº 2539, CEO Salvador Shopping, Edf. Torre Londres, sala 2609 - Caminho das Árvores.

CEP.: 41820-021

prazer-te-conhecer-gaveta-do-pensamento
bottom of page